Publicações
Artigos, capítulos e textos
Terapia familiar e conjugal · Psicoterapia
- Processo de luto na vida do casal e a infidelidade
- As vozes dos pais homens acerca da experiência de terem filhos com deficiência
- Entrevista
- A família e a deficiência: viver, amar e superar
- Família e autonomia: estratégias facilitadoras para profissionais e para pais
- Famílias em rodas de conversa sobre educar e incluir
Aprendizagem, dislexia e funções executivas
- Quando capacidades e dificuldades se "embaralham": estudo de caso sobre altas habilidades/superdotação e dislexia
- Reading in developmental dyslexia: the role of phonemic awareness and executive functions
- Leitura de estudantes com dislexia do desenvolvimento: impactos de uma intervenção com método fônico associado à estimulação de funções executivas
- A importância das funções executivas para a aprendizagem da linguagem escrita
- Funções executivas e leitura em crianças brasileiras com dislexia do desenvolvimento
- Funções executivas na dislexia do desenvolvimento: revendo evidências de pesquisas
Família, inclusão e formação docente
Publicações do período dedicado à pesquisa em educação, formação de professores e inclusão escolar. Lista completa no ResearchGate.
Textos e reflexões
Textos autorais publicados originalmente no blog Espaço Sistêmico e no Instagram da APRTF.
"Quem está de carona não tem rédea."
Julho de 2025A partir de um ditado popular trazido por uma cliente em sessão, uma reflexão sobre autonomia, paradigmas e dogmas nas relações — com apoio no conceito de paradigma de Maria Esteves de Vasconcelos.
Ler o texto completo
Durante uma sessão, a cliente mencionou o ditado popular "Quem está de carona não tem rédea", muito utilizado em Minas Gerais para se referir à pessoa que, ao estar no banco do passageiro, não possui autonomia nem direito a opinar ou manifestar seus desejos ou vontades.
Nosso diálogo atravessou uma história em que ela se viu submetida a um casamento marcado pela imposição e pela submissão. Peguei uma folha de papel e propus um exercício: completar a frase "Quem está de carona..." de pelo menos três formas diferentes. Fiz o mesmo. Surgiram frases como "pode contemplar a paisagem", "pode mexer no GPS", "faz companhia para o motorista".
Falar sobre estar de carona com alguém exige esclarecimentos. É preciso questionar: essa carona é na vida do outro ou em uma vida compartilhada? Se for no carro da vida do outro, há espaço para levar alguém com suas bagagens? O outro também carrega bagagens? E se a carona for no veículo da relação, há dois volantes? Ambos estão habilitados para conduzir? Como decidiram o destino? Qual o combustível que mantém essa viagem? Como cuidam da manutenção do veículo?
No livro Pensamento Sistêmico Novo Paradigmático, Maria Esteves de Vasconcelos apresenta o conceito de paradigma como um conjunto de crenças que orienta determinado grupo ou comunidade. Os ditados populares são exemplos de paradigmas adotados por pessoas que, em certo tempo e contexto, os consideravam verdades para nortear comportamentos. No entanto, ao longo do tempo, os paradigmas podem perder o sentido — e, se continuarem a ser aplicados rigidamente, transformam-se em dogmas.
Os dogmas são limitantes, pois representam o oposto de liberdade, flexibilidade e complexidade. Tornam-se nocivos ao bloquearem a diferenciação, o autoconhecimento e a possibilidade de escolhas conscientes. O dogma impõe ao indivíduo a necessidade de se adaptar para pertencer — e é nesse ponto que surgem as chamadas "ovelhas negras", aquelas que quebram paradigmas, trazem o novo e, muitas vezes, se opõem ao movimento de todo um sistema.
Resgatar o significado dos ditos populares e ressignificá-los pode ser uma ferramenta potente em psicoterapia. Ao desconstruir frases que nos moldam inconscientemente, abrimos espaço para escolhas mais livres, plurais e alinhadas com o que cada sujeito deseja viver. Afinal, quem está de carona... também pode escolher o próximo destino — ou até aprender a dirigir seu próprio caminho.
Metáfora: Síndrome de Jesus Cristo
Julho de 2024Uma reflexão, a partir de um curso com Maurizio Andolfi, sobre o comportamento de quem se sacrifica carregando responsabilidades que não lhe pertencem — e sobre o caminho da diferenciação.
Ler o texto completo
No curso realizado por Andolfi, em junho de 2023 em Roma, o autor utilizou a expressão "Síndrome de Jesus Cristo" como uma ilustração para o comportamento das pessoas que, assim como Jesus, se sacrificam carregando a cruz pelos outros.
Com todo o respeito que temos pelo Cristianismo, e sabendo do quanto ele está presente na nossa cultura ocidental, valores e crenças, acredito que Andolfi foi muito inspirado em conectar a atitude de se sacrificar pelos outros, carregando pesos que não nos pertencem, com o adoecimento físico e mental. Sabemos que não somos Jesus Cristo, somos pessoas comuns; no entanto, podemos assumir esta missão em nossas famílias através de mandados, sustentados por lealdades invisíveis. Precisamos deixar este trabalho para o Mestre, e nos tratarmos desta síndrome que não nos pertence, indo em direção à diferenciação.
Para psicoterapeutas de família, utilizar a metáfora da Síndrome de Jesus Cristo pode ser extremamente útil no trabalho com clientes. Ela ajuda a ilustrar e explorar como algumas pessoas assumem a responsabilidade excessiva pelos problemas e emoções dos outros, muitas vezes em detrimento de seu próprio bem-estar emocional. Ao discutir essa síndrome, é possível ajudar os clientes a identificar padrões de comportamento que podem levar à sobrecarga emocional, ao estresse crônico e, consequentemente, ao adoecimento — abrindo caminho para discutir estratégias de autocuidado, estabelecimento de limites saudáveis e uma relação mais equilibrada consigo mesmo e com os outros.
Cabe lembrar que metáforas na psicoterapia são ferramentas linguísticas que ajudam a representar e compreender experiências emocionais complexas de maneira mais concreta e acessível. Elas facilitam a comunicação entre terapeuta e cliente, promovendo insights e reflexões sobre padrões de comportamento e sentimentos, e permitindo que os clientes vejam suas situações de novas perspectivas.
Sobre escutar para entender
Julho de 2024A partir de uma citação de Stephen Covey, uma reflexão sobre escuta defensiva, a Pragmática da Comunicação Humana e a Comunicação Não Violenta como caminho para uma escuta mais genuína.
Ler o texto completo
Na comunicação, muitas vezes as pessoas escutam não com a intenção de entender, mas com uma postura defensiva, prontas para reagir ao que percebem como um ataque. Isso é discutido em Pragmática da Comunicação Humana, de Paul Watzlawick e seus coautores, que explicam como a comunicação é um processo complexo e frequentemente distorcido por interpretações pessoais. Quando as pessoas ouvem com defesas, estão na verdade respondendo ao seu diálogo interno, onde qualquer comentário pode ser percebido como uma ameaça ou crítica — o que cria barreiras para a comunicação eficaz, pois a verdadeira mensagem do interlocutor é frequentemente perdida ou mal interpretada.
Essa tendência defensiva é uma das razões pelas quais muitos diálogos se transformam em conflitos. Ao reagir ao que acreditam ser ataques, as pessoas deixam de ouvir ativamente e entender o contexto e os sentimentos por trás das palavras ditas; passam a focar-se em justificar suas próprias posições e se proteger, o que impede a empatia e a resolução construtiva de problemas. Para melhorar a comunicação, é essencial praticar a escuta ativa, procurando entender antes de responder.
Para desenvolver uma comunicação mais respeitosa e genuína, uma abordagem eficaz é a Comunicação Não Violenta (CNV), desenvolvida por Marshall Rosenberg. A CNV foca em escutar e expressar-se de maneira empática e clara, a partir de quatro componentes: observação, sentimento, necessidade e pedido. Ao adotar a CNV, somos encorajados a observar sem julgar, identificar e expressar nossos sentimentos, reconhecer nossas necessidades subjacentes e fazer pedidos claros e viáveis — o que promove uma escuta ativa, desarma defesas e facilita uma conexão mais autêntica.