Abordagem
O olhar que orienta minha prática
Minha trajetória profissional começou na Educação Especial e Inclusiva, atuando com estimulação precoce de bebês, avaliação e acompanhamento de crianças com deficiência, dificuldades de aprendizagem e suas famílias. Foi nesse trabalho que passei a observar que o desenvolvimento humano não acontece de forma isolada. Ele emerge do encontro entre as características de cada pessoa, os vínculos que estabelece e os contextos em que vive. Quando, mais tarde, conheci a abordagem sistêmica, tive a sensação de reconhecer, na teoria, uma forma de compreender o mundo que já fazia parte da minha maneira de pensar.
Desde cedo me interessaram a filosofia e as diferentes formas de compreender a condição humana. Ao longo da minha formação, encontrei no humanismo, no existencialismo, na terapia familiar sistêmica, no pensamento da complexidade e nas perspectivas pós-modernas um terreno fértil para desenvolver uma visão de mundo que reconhece a realidade como relacional, dinâmica e em constante construção. Autores como Gregory Bateson, Humberto Maturana, Edgar Morin, Harlene Anderson, Michael White, Sue Johnson e demais estudiosos da terapia familiar passaram a influenciar minha maneira de pensar e de estar na clínica. Com eles, aprendi a compreender as relações para além da linearidade, a reconhecer o papel da linguagem e do diálogo na construção da experiência e a valorizar a importância dos vínculos afetivos na vida humana.
Quando alguém chega ao consultório, interessa-me compreender a pessoa em sua singularidade: as relações que marcaram sua história, os contextos que atravessou, os significados que construiu e os recursos que desenvolveu para responder às circunstâncias da vida. Entendo que cada maneira de viver representa uma tentativa de adaptação às condições encontradas em determinado momento.
Vejo a terapia como um espaço de encontro e diálogo, construído de forma colaborativa, em que diferentes perspectivas podem ser colocadas em conversa para ampliar a compreensão da experiência vivida. Não se trata de oferecer respostas prontas, mas criar um contexto em que cada pessoa, casal ou família possa reconhecer seus recursos, atribuir novos significados à própria história e encontrar caminhos saudáveis coerentes com seus valores e com o momento de vida que atravessa.